sábado, 23 de janeiro de 2010

Música : Dream Theater - Wither

Eu gosto muito de Dream Theater, mas realmente não queria repetir de banda.
Só vou postar essa música porque ela descreve bem meu estado de espírito agora, em virtude dos estudos pro vestibular.

P.S: Só não postei o clipe original porque ele está hospedado no canal oficial do Dream Theater, que pede desativação de incorporação em todos os videos. Saco...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Até onde?

A cada dia que passa, percebo o quão impaciente me tornei com o mundo. Se, por exemplo, a Internet está um pouco mais lenta que o normal, ou o celular sai da área de serviço, já bate o estresse.
Então, me lembro que o protótipo do computador ocupava um salão inteiro e travava em média cinquenta vezes ao dia. Celular? Não muito tempo atrás, nem cabiam nos bolsos.
O setor informacional, porém, é só um dos vários exemplos que demonstram que o mundo gira cada vez mais rápido, e muita gente não está sabendo lidar com isso. Quem diria que, um dia, a tecnologia iria virar questão de inclusão social?
Qual será o limite do progresso, se é que existe limite? A "miopia" dos visionários do século passado (os mesmos que previram, para este exato momento, carros voadores e colônias no espaço) e o esforço em vão dos pesquisadores que tentam desvendar os segredos da vida, da morte e da metafísica afastam ainda mais qualquer perspectiva de previsão.
Conclui-se, enfim, que nada se pode concluir. O universo está em constante expansão, e continuaremos como de praxe, olhando para o passado com desdém e seguindo em frente, rumo à autodestruição. Do pó viemos, ao pó voltaremos, e a poeira cobrirá concreto e asfalto antes que tenhamos idéia do nosso verdadeiro sentido.

Quem com ferro fere...

A vida social é regida por vários princípios, destacando-se entre eles respeito, tolerância, bom-senso e humildade, válidos para quaisquer ocasiões.
Muitas pessoas, porém, se esquecem disso, e muitas vezes acabam engrossando uma mórbida estatística: a de mortos em acidentes de trânsito no Pará e no Brasil.
Não é preciso ser "pós-doctor" em física para saber que uma colisão, ainda que a velocidades relativamente baixas, dissipa uma quantidade imensa de energia. Mesmo assim, muitos motoristas se esquecem do que aprenderam na autoescola, e apostam em um estilo "Carmageddon" de direção, o que muitas vezes envolve inocentes quando o pior acontece.
Quem já tomou, por exemplo, uma "fechada", sabe como é desagradável. A lei seca tem feito um ótimo trabalho detendo pinguços ao volante, mas infelizmente bafômetro não detecta irresponsabilidade. Dirigir é, antes de um direito, uma responsabilidade. Quando o motorista se esquece disso, o veículo vira arma... e o tiro também pode sair pela culatra.
Irresponsabilidade reflete falta de educação. E falta de educação no trânsito não é aproveitar uma paradinha no sinal pra "limpar o salão", não. Trata-se de qualquer atitude que comprometa os direitos ou até mesmo a integridade física de outra pessoa, desde estacionar em fila dupla até disputar corridas de rua, que, convenhamos, é a maior estupidez que alguém pode cometer ao volante.
Portanto, antes de dar a partida no seu carro ou moto, lembre-se de três coisas:
1 - Você não está sozinho nas ruas.
2 - Nada vale mais que a vida.
3 - Você vai DIRIGIR, não jogar videogame.
A sociedade agradece.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Música : Dream Theater - Hollow Years (ao vivo)

Dream Theater é uma banda de metal progressivo originária dos Estados Unidos e formada em meados dos anos 80. Tornaram-se numa das bandas do movimento progressivo mais bem sucedidas desde o auge do rock progressivo em meados dos anos 70. A banda é conhecida pela qualidade técnica de cada um de seus integrantes, tendo ganhado vários prêmios por revistas especializadas. São muito respeitados por grandes nomes do rock e metal, tendo colaborado com vários outros músicos de renome. Em um exemplo famoso, John Petrucci foi nomeado como o terceiro guitarrista do G3, juntamente com Steve Vai e Joe Satriani, seguindo a trilha de guitarristas como Eric Johnson, Robert Fripp e Yngwie Malmsteen.

Essa música é simplesmente demais, uma obra de arte. O solo de guitarra (@4:30) é um dos melhores que eu já ouvi, sem falar na belíssima melodia.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Cântico Negro

Esse é o meu favorito. Espero que gostem!

José Régio, o autor.

Cântico negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

Juventude de plástico

Quem esteve em Woodstock, sabe do que estou falando.
Aqueles dias de protesto pacífico e contundente contestação são, até hoje, motivo de orgulho para quem viveu na época, e tenta passar esse legado para a geração atual.
Infelizmente, bons tempos não voltaram mais.
As drogas são outras, matam mais rápido e causam menos dor. A luta pelo direito de se vestir como se queira foi trocada não faz mais sentido. Deve-se vestir o que a moda manda, sem contestação. A música caiu no mainstream, o Che caiu no clichê. A ideologia quer alguém pra viver. A cor dos olhos tomou o lugar do brilho no olhar, o ver-de do dinheiro tomou o lugar do ver-de perto, bem de perto, a imagem que se forma no espelho e refletir: será que aquilo é a mesma pessoa que está parada do lado de cá do dioptro?
A juventude está morrendo espiritualmente. O ímpeto de romper paradigmas, ainda que fabricados ou inexistentes, cria a ilusão do "vanguardismo" enquanto manda todos os "vanguardistas" em fila indiana rumo à prensa comportamental. É triste ver como a maioria esmagadora dos adolescentes enxergam os desafios da vida como uma realidade bem distante de seu glamour.
E se um mundo melhor não tiver mais esperança em mim, então é melhor que eu envelheça, morra e apodreça bem rápido.

sábado, 16 de janeiro de 2010

O que eu quero ser

Hoje eu tive um sonho muito estranho.
Tão estranho, e ao mesmo tempo tão bom, que deixou uma sensação de embaralhamento nas idéis e um gosto de decepção ao acordar.
Sonhei que eu era uma letra. Uma letra que se transformava em várias outras, que se transformavam em palavras, que se transformavam em parágrafos, que se se transformavam em textos. Sentia-me um deus.
Era leve como uma folha, afiado como uma lâmina, rápido como um pensamento, ameaçador como uma arma. Atirava pedidos de perdão e súplica, declarações de amor, de guerra e de imposto de renda. Cometia assassinatos, inocentava réus, partia corações e operava milagres.
Era capaz de penetrar em cada pessoa e lá ficar, desde seu nascimento até depois de sua morte. Também mudava de forma: podia ser escrito, falado, pensado, pintado, datilografado, codificado e decodificado.
Mais do que isso, apenas existia, no sentido do verbo "ser", no sentido contemplativo de Alberto Caeiro, e no sentido social de Karl Marx. "Ser" criador, "ser" criatura. Não precisava de mais nada, pois já era tudo.
Até que o real (como sempre cruel) me puxou de volta do abstrato, e me vi cercado de palavras.
Foi por isso que decidi escrever. Já que não posso ser essas palavras, vou aprisioná-las. Vou acorrentá-las a mim, e seremos felizes para sempre.